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Salmos 27

Por: Pr. Humberto Sedano

1 O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? Senhor é a força da minha vida; de quem me recearei?

2 Quando os malvados investiram contra mim, para comerem as minhas carnes, eles, meus adversários e meus inimigos, tropeçaram e caíram.

3 Ainda que um exército se acampe contra mim, o meu coração não temerá; ainda que a guerra se levante contra mim, conservarei a minha confiança.

4 Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: que possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor, e inquirir no seu templo.

5 Pois no dia da adversidade me esconderá no seu pavilhão; no recôndito do seu tabernáculo me esconderá; sobre uma rocha me elevará.

6 E agora será exaltada a minha cabeça acima dos meus inimigos que estão ao redor de mim; e no seu tabernáculo oferecerei sacrifícios de júbilo;cantarei, sim, cantarei louvores ao Senhor.

7 Ouve, ó Senhor, a minha voz quando clamo; compadece-te de mim e responde-me. Quando disseste:

8 Buscai o meu rosto; o meu coração te disse a ti: O teu rosto, Senhor, buscarei.

9 Não escondas de mim o teu rosto, não rejeites com ira o teu servo, tu que tens sido a minha ajuda. Não me enjeites nem me desampares, ó Deus da minha salvação.

10 Se meu pai e minha mãe me abandonarem, então o Senhor me acolherá.

11 Ensina-me, ó Senhor, o teu caminho, e guia-me por uma vereda plana, por causa dos que me espreitam.

12 Não me entregues à vontade dos meus adversários; pois contra mim se levantaram falsas testemunhas e os que respiram violência.

13 Creio que hei de ver a bondade do Senhor na terra dos viventes.

14 Espera tu pelo Senhor; anima-te, e fortalece o teu coração; espera, pois, pelo Senhor.

Confiança em Deus e anelo pela sua presença.

Este salmo é de Davi e é um hino de confiança no Senhor.

Assim em um tom geral de confiança, esperança e gozo, especialmente no culto a Deus, em meio aos perigos, o salmista apresenta uma bela e sublime oração de fé pedindo o socorro e a direção do Senhor, seu Deus.

Este salmo consta de duas partes:

1. A primeira parte é um testemunho de confiança em Deus, ainda em meio aos maiores perigos (1-6).

2. A segunda parte é uma una súplica individual, que brota dessa atitude de confiança no Senhor (7-14).

Neste salmo Davi pede ao Senhor que o livre de seus violentos inimigos. Este salmo é similar aos salmos 9, 10 e 40 que começam com um hino de ação de graças antes da petição, este Salmo começa com um canto de confiança (1-6), seguido de uma oração de liberação (7-13). O verso 14 não é parte do canto pessoal nem da oração, porém convida à congregação a unir-se a seu rei e esperar no Senhor. Primeiro Davi confessa que Deus o livra dos seus inimigos (1-3) e então fala de buscar a Deus em seu santuário, oferecendo-lhe sacrifícios que lhe honrem como Rei (4-6).

1. Um testemunho de confiança do salmista em Deus, ainda em meio a grandes perigos (1-6):

1 O Senhor é a minha luz

e a minha salvação;

a quem temerei?

O Senhor é a força da minha vida;

de quem me recearei?

Neste verso o salmista faz uma tríplice declaração de fé no Senhor, aqui ele afirma o que Deus é para ele:

· O Senhor é a sua luz.

· O Senhor é a sua salvação.

· O Senhor é a força da sua vida.

Nesta tríplice declaração de fé o salmista ilustra o que Deus é para ele e o que Ele lhe provê: Luz para os seus olhos, salvação para a sua alma e força para o seu corpo físico e sua existência humana.

Sendo Deus para o salmista sua luz, sua salvação e a força da sua vida ele toma uma atitude corajosa diante dos perigos e dificuldades da vida e os enfrenta, pois ele não teme, antes confia no Altíssimo; ele não receia, antes se refugia no Senhor, seu Deus.

· O Senhor como nossa luz. Isto é pertinente para continuar vivendo e caminhando em momentos escuros e tenebrosos da vida.

· O Senhor como nossa salvação. Isto é importante para continuar lutando e pelejando em momentos de doenças mortais e perigos na frente de batalha.

· O Senhor como nossa força para viver. Isto é determinante para continuar resistindo e avançando em momentos de fraqueza e desânimo.

O salmista repete estas três idéias com relação a Deus em outras partes dos salmos:

Sim, tu acendes a minha candeia; o Senhor meu Deus alumia as minhas trevas. Sl 18.28.

Aos retos nasce luz nas trevas; ele é compassivo, misericordioso e justo. Sl 112.4.

Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação que há na sua presença. Sl 42.5.

O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo, em quem me refúgio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio. Sl 18.2.

2 Quando os malvados

investiram

contra mim,

para comerem as minhas carnes,

eles,

meus adversários

e meus inimigos,

tropeçaram

e caíram.

Neste verso o salmista descreve o ataque dos homens ímpios a quem ele chama de malvados, adversários e inimigos. Eles são descritos como feras selvagens que procuram devorá-lo. Mas mesmo agindo com violência e velocidade o ataque destes homens maus é frustrado pelo Senhor para segurança do salmista.

Assim a confiança no Senhor da parte do salmista é correspondida e ele é protegido cumprindo-se a Escritura no coração e na vida do seu servo:

Não tenhais medo deles, porque o Senhor vosso Deus é o que peleja por nós. Dt 3.22.

Os inimigos do salmista terminam humilhados, pois eles tropeçam e caem diante de Davi pelo poder de Deus.

3 Ainda que um exército

se acampe

contra mim,

o meu coração

não temerá;

ainda que a guerra

se levante

contra mim,

conservarei

a minha confiança.

Através dos séculos os homens de Deus têm enfrentado inimigos maiores e mais numerosos do que eles, assim Abraão enfrentou quatro exércitos com 318 homens, Gideão enfrentou uma multidão de midianitas com 300 homens, Jônatas com o seu escudeiro enfrentaram uma guarnição de filisteus e Davi enfrentou o gigante e poderoso Golias com sua funda e uma pedra e em cada um deles a confiança no Senhor Deus prevaleceu, assim o Senhor concedeu a vitória a seus servos fiéis:

Disse, pois, Jônatas ao seu escudeiro: Vem, passemos à guarnição destes incircuncisos; porventura operará o Senhor por nós, porque para o Senhor nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos. 1Sm 14.6.

Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor nosso Deus.

Uns encurvam-se e caem, mas nós nos erguemos e ficamos de pé. Sl 20.7-8.

E que mais direi? Pois me faltará o tempo, se eu contar de Gideão, de Baraque, de Sansão, de Jefté, de Davi, de Samuel e dos profetas; os quais por meio da fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam a boca dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam ao fio da espada, da fraqueza tiraram forças, tornaram-se poderosos na guerra, puseram em fuga exércitos estrangeiros. He 11.32-34.

Assim diante de um grande problema e diante de uma tremenda dificuldade o crente não temerá, antes confiará no Senhor que o protegerá fielmente, pois Ele nunca o abandonará.

4 Uma coisa pedi

ao Senhor,

e a buscarei:

que possa morar

na casa do Senhor

todos os dias da minha vida,

para contemplar a formosura do Senhor,

e inquirir

no seu templo.

O salmista mostra aqui o seu coração sacerdotal e com ele sua profunda piedade. O salmista ora por manter constante comunhão com Deus no seu santuário. Ele deseja estar face a face com Deus, coração a coração com o Senhor. Ele não se satisfaz só com orar, ele procura cumprir sua própria oração indo à Casa do Senhor.

Todos os genuínos filhos de Deus desejam habitar na casa de seu Pai Celeste. Isto não é uma estadia temporal, como a de um hospede que fica passageiramente por uma noite na pousada nem tampouco é permanecer ali só por um tempo como o servo que trabalha na casa do seu dono, Davi como homem piedoso desejava e anelava habitar no santuário do Senhor todos os dias de sua vida como o faziam os sacerdotes levitas, ele como filho quer morar com seu Pai Amado no lar celeste.

O salmista nos parece dizer:

A coisa mais importante que eu busco neste mundo é habitar na Casa do Senhor, pois as lutas, as provações e as tentações nos ajudam a buscar refúgio na casa de Deus. Ali o Senhor Deus me dará asilo em sua casa em tempos de desdita e desespero.

Quem procura ao Senhor continuamente compreende por experiência pessoal as inumeráveis riquezas do amante coração do Senhor para aqueles que procuram refúgio nele.

Assim seguro e convicto o salmista coloca a adoração e a contemplação de Deus no seu tabernáculo como o assunto mais importante em sua vida e ele faz esta declaração de amor ao Senhor. O genuíno servo de Deus possui o mesmo anelo do salmista tanto pela Casa de Deus quanto pela presença do Senhor para contemplar a sua formosura e aprofundar nas maravilhas da sua Palavra.

O secreto da confiança do salmista diante do perigo é o seu deleite na comunhão com Deus:

Tu me farás conhecer a vereda da vida; na tua presença há plenitude de alegria; à tua mão direita há delícias perpetuamente. Sl 16.11.

Contemplando a harmonia das perfeições de Deus e buscando seus favores em seu templo ou palácio o salmista se fortalece no Senhor para enfrentar os seus inimigos.

5 Pois no dia da adversidade me esconderá

no seu pavilhão;

no recôndito do seu tabernáculo

me esconderá;

sobre uma rocha

me elevará.

A fidelidade divina é oportuna, pois no dia da adversidade o Senhor é refúgio e esconderijo para o salvo. Nesse dia de conflito e angústia, a casa de Deus é um lugar onde o salmista encontrava segurança e proteção. Assim o povo de Deus orava a favor do seu rei:

O Senhor te ouça no dia da angústia; o nome do Deus de Jacó te proteja. Sl 20.1.

E o próprio rei também invocava ao Senhor:

Desde a extremidade da terra clamo a ti, estando abatido o meu coração; leva-me para a rocha que é mais alta do que eu. Pois tu és o meu refúgio, uma torre forte contra o inimigo.

Deixa-me habitar no teu tabernáculo para sempre; dá que me abrigue no esconderijo das tuas asas. Sl 61.2.

No seguinte verso Davi confessa confiantemente a ajuda divina no dia da batalha:

6 E agora será exaltada a minha cabeça

acima dos meus inimigos

que estão ao redor de mim;

e no seu tabernáculo

oferecerei sacrifícios de júbilo;

cantarei, sim,

cantarei louvores

ao Senhor.

O salmista celebra pela fé sua vitória sobre os seus inimigos e anuncia o desejo de cultuar ao Senhor em seu santuário com louvores e ações de graças. O Tabernáculo do Senhor não só era um lugar de refúgio para Davi, o santuário era também o lugar onde ele podia cultuar ao Senhor pelos triunfos concedidos ao seu servo.

2. Uma súplica individual que brota da atitude de confiança do salmista no Senhor (7-14):

Esta oração de Davi tem duas partes:

1) Petição a Deus de que não lhe abandone, senão que o favoreça (7-10).

2) Davi especificamente, pede ao Senhor liberação (11-13).

7 Ouve,

ó Senhor,

a minha voz quando clamo;

compadece-te de mim

e responde-me.

Ainda que confiante no Senhor, o salmista clama e pede compaixão a Deus para que Ele o ouça diante da sua súplica. Observe que há um duplo conflito, primeiro no campo de batalha entre o salmista e os seus inimigos e segundo no coração do salmista entre ele e os seus temores, por isso ele invoca ao Senhor.

8 Quando disseste:

Buscai o meu rosto;

o meu coração te disse a ti:

O teu rosto,

Senhor, buscarei.

O sentido do verso é, ainda que a construção do verso é uma tradução literal ele é algo obscuro. A versão inglesa traduz muito melhor o verso e devolve o sentido do texto:

Quando tu disseste: Buscai meu rosto, meu coração a ti te diz, Teu rosto, Jeová, buscarei”.

Assim buscar o rosto de Deus equivale a dizer, eu buscarei o favor de Deus. A bênção arônica incluía esta realidade para Israel:

O Senhor te abençoe e te guarde;

O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti;

O Senhor levante sobre ti o seu rosto, e te dê a paz. Nm 6.24-26.

Assim o salmista também convida a outros a fazer o mesmo:

Buscai ao Senhor e a sua força; buscai a sua face continuamente. Sl 105.4.

9 Não escondas de mim o teu rosto,

não rejeites com ira o teu servo,

tu que tens sido a minha ajuda.

Não me enjeites

nem me desampares,

ó Deus da minha salvação.

Quando o salmista disse: ….não escondas de mim o teu rosto, parece estar duvidando, assim para não ser rejeitado, o salmista invoca a misericórdia e amor antes recebidos da parte de Deus, pois o temor, a angústia e o assédio dos inimigos aumenta e com eles as dúvidas. Em outros salmos também aparece esse conflito:

Muitos dizem: Quem nos mostrará o bem? Levanta, Senhor, sobre nós a luz do teu rosto. Sl 4.6.

Porque não desprezou nem abominou a aflição do aflito, nem dele escondeu o seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu. Sl 22.24.

Em seguida Davi faz uma bela declaração de fé baseado no amor e na fidelidade divina:

10 Se meu pai

e minha mãe

me abandonarem,

então o Senhor me acolherá.

Na maior indigência familiar e no pior desamparo terreno prevalece o amparo e a fidelidade do amor divino sobre os seus e Davi confia nisso:

Por causa de todos os meus adversários tornei-me em opróbrio, sim, sobremodo o sou para os meus vizinhos, e horror para os meus conhecidos; os que me vêem na rua fogem de mim. Sl 31.11.

Os meus amigos e os meus companheiros afastaram-se da minha chaga; e os meus parentes se põem à distância. Sl 38.11.

Mas Sião diz: O Senhor me desamparou, o meu Senhor se esqueceu de mim.

Pode uma mulher esquecer-se de seu filho de peito, de maneira que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos eu te gravei; os teus muros estão continuamente diante de mim. Is 49.14-16.

Mas o Senhor está comigo como um guerreiro valente; por isso tropeçarão os meus perseguidores, e não prevalecerão; ficarão muito confundidos, porque não alcançarão êxito, sim, terão uma confusão perpétua que nunca será esquecida. Jr 20.11.

11 Ensina-me,

ó Senhor, o teu caminho,

e guia-me por uma vereda plana,

por causa dos que me espreitam.

Ensina-me, e guia-me, o salmista manifesta docilidade para aprender do Senhor o caminho a seguir, pois essa é a natureza de um servo de Deus, a mansidão diante da instrução do Senhor através da sua Palavra.

…inimigosliteralmente significa: aqueles que vigiam para ver minha queda. O salmista sabe que os seus inimigos esperam que ele se desvie do caminho do Senhor para poder atacá-lo, por isso ele também sabe que deve andar em caminho de justiça por meio de uma vida reta e correta para louvor de Deus e para sua própria segurança e bênção.

12 Não me entregues

à vontade dos meus adversários;

pois contra mim

se levantaram

falsas testemunhas

e os que respiram violência.

A palavra vontade significa literalmente alma ou desejo e a palavra inimigos também significa literalmente opressores. Assim o salmista pede ao Senhor para não ser entregue às mãos e ao desejo de seus opressores, pois eles mentem com crueldade contra ele a fim de atacá-lo violentamente.

13 Creio

que hei de ver a bondade do Senhor

na terra dos viventes.

Este verso possui uma forte emoção expressada pela construção incompleta do verso; que pelo geral não aparece em várias versões. A versão em espanhol resgata a idéia original do texto hebraico:

Houvesse eu desmaiado senão cresse que verei a bondade do Senhor na terra dos viventes.

...verei — é equivale a experimentar. Assim o salmista se fortalece no Senhor colocando sua fé e esperança no poder e na vontade do Altíssimo em meio a seu grande conflito.

14 Espera tu pelo Senhor;

anima-te,

e fortalece o teu coração;

espera, pois, pelo Senhor.

Espera tu pelo Senhor; uma vez fortalecido e revitalizado o salmista convida aos seus ouvintes e leitores a confiar, esperar, animar e fortalecer-se no Senhor como ele fez, pois o Senhor é fiel e suficiente para socorrer e auxiliar aos seus filhos.

O salmista começou declarando sua confiança no Senhor afirmando que Ele era a sua Luz, a sua salvação e a sua força, assim deseja que outros tenham essa mesma experiência.

Lembremos que o Senhor afirmou:

Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida. Jo 8.12.

Aceite Cristo como o seu salvador pessoal para que Ele ilumine o seu caminho e o seu coração e assim você terá com Deus uma forte relação e por isso provisão, bênção e proteção e, sobretudo a salvação da condenação.

Experimente a confiança em Deus produto da comunhão com Ele através da sua Palavra e mediante a direção do Espírito Santo. E desfrute da presença de Deus na casa do Senhor para louvá-lo e servi-lo fielmente contemplando a formosura divina pela fé em Cristo Jesus.

http://www.youtube.com/watch?v=20f90oaYWlY&feature=related

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